Vigilância Epidemiológica da coqueluche em Minas Gerais: tendências temporais e padrões espaciais (2014–2024)
DOI:
https://doi.org/10.15343/0104-7809.202549e17772025IPalavras-chave:
Coqueluche, Análise Espaço-Temporal, Monitoramento EpidemiológicoResumo
A coqueluche é uma infecção aguda de transmissão respiratória e presente em todo o mundo, pode ser prevenida por imunização e representa um risco significativo para a saúde infantil. O presente estudo teve como objetivo analisar a distribuição espaço-temporal de coqueluche em Minas Gerais entre 2014 e 2024, identificando áreas de maior risco e a dinâmica temporal da doença. Estudo ecológico de base populacional utilizando dados secundários do Portal de Vigilância em Saúde de Minas Gerais. Foram aplicados Modelos Aditivos Generalizados (GAM) e estatística Scan para detecção de aglomerados espaço-temporais. Em Minas Gerais foram confirmados 2.161 casos de coqueluche, com incidência média de 1,95/100.000 habitantes, destacando-se maiores incidências nas macrorregiões Centro (6,47/100.000), Sul (3,86/100.000) e Triângulo do Norte (2,42/100.000). A análise gráfica utilizando GAM revelou queda no risco entre 2015 e 2021, seguida de ascensão a partir de 2022. Foram identificados clusters de alto risco em diferentes momentos, sobretudo em 2024, envolvendo macrorregiões Norte, Noroeste, Jequitinhonha, Centro, Oeste, Sul, Sudoeste, Centro-Sul. O estudo identificou padrão cíclico e heterogêneo da coqueluche em Minas Gerais, com recrudescimento após 2022 e clusters de alto risco em regiões vulneráveis. Os achados reforçam a necessidade de vigilância contínua e georreferenciada, com foco em áreas socioeconomicamente vulneráveis, a fim de prevenir a reemergência da doença e subsidiar políticas públicas eficazes.
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