Atenção domiciliar às pessoas idosas: caracterização do cuidado na Atenção Primária à Saúde
DOI:
https://doi.org/10.15343/0104-7809.202650e19772026IPalavras-chave:
Assistência Domiciliar, Pessoas Idosas, Saúde da Família, Doenças não Transmissíveis, Atenção Primária à SaúdeResumo
O Brasil enfrenta uma rápida transição demográfica, com aumento da população idosa e expectativa de vida. Juntamente a isso ocorre uma transição nutricional e epidemiológica que se correlacionam a partir da má-alimentação e da prevalência de doenças crônicas, especialmente nas pessoas idosas. Essa transição que apresenta o envelhecimento da população ressalta a necessidade de cuidados primários dessas pessoas. Neste contexto, a atenção domiciliar (AD) é definida como um conjunto de ações e serviços destinados à promoção da saúde, proporcionando aos usuários acesso contínuo aos cuidados de saúde, principalmente aos mais vulneráveis, como as pessoas idosas. Embora a AD represente uma estratégia significativa para uma abordagem humanizada, o estabelecimento de vínculos e o acesso aos serviços, ainda há escassez de evidências científicas sobre a assistência prestada à população idosa que requer atenção domiciliar. O estudo teve como objetivo caracterizar a atenção domiciliar prestada a pessoas idosas em um município de médio porte do interior paulista, descrevendo o perfil sociodemográfico dessa população, a prevalência e os tipos de morbidades, os principais procedimentos realizados no âmbito do cuidado domiciliar, a categoria profissional responsável pelo atendimento e a duração do acompanhamento. Realizou-se um levantamento de dados, no período de 2022 a 2024, por meio dos prontuários das pessoas idosas (n=106) atendidas pela AD na atenção primária à saúde de 8 Unidades de Estratégia Saúde da Família. A análise dos resultados foi realizada por meio de estatística descritiva. Quanto ao perfil sociodemográfico, a média de idade das pessoas idosas obtida foi igual a 78,6 anos, e houve uma prevalência de indivíduos do sexo feminino (63,9%). Em relação à morbidade mais frequente, a hipertensão arterial foi a que atingiu um maior número de pacientes, chegando a 81,1%. Para a realização dos atendimentos, os enfermeiros foram os profissionais que predominaram com 53,6% dos atendimentos totais. Nos atendimentos médicos, os procedimentos que mais prevaleceram foram o exame médico geral (35,3%) e a aferição de pressão arterial (28,1%). Nos atendimentos odontológicos, o procedimento mais realizado foi a orientação de higiene bucal, atingindo 47,8% dos atendimentos. Conclui-se que a atenção domiciliar a pessoas idosas é marcada pela predominância feminina e por doenças crônicas como hipertensão e diabetes. Enfermeiros e médicos foram os principais responsáveis pelos atendimentos, enquanto a atuação odontológica foi pontual e preventiva. A longa duração dos atendimentos reflete a complexidade das condições tratadas.
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