Alterações citogenéticas associadas à exposição ocupacional à radiação ionizante em técnicos de radiologia: uma revisão sistemática
DOI:
https://doi.org/10.15343/0104-7809.202650e19452025IPalavras-chave:
Exposição à Radiação, Citogenética, Biomarcadores, Instabilidade GenômicaResumo
A exposição ocupacional à radiação ionizante representa risco relevante para técnicos de radiologia e trabalhadores de serviços radiológicos, podendo induzir danos citogenéticos mensuráveis mesmo em cenários de baixa dose. O objetivo deste estudo foi sintetizar evidências recentes sobre alterações citogenéticas associadas à exposição ocupacional à radiação ionizante em profissionais da radiologia, identificando os biomarcadores mais frequentemente alterados e sua relação com dosimetria, setor de atuação e características individuais. Trata-se de uma revisão sistemática conduzida conforme as diretrizes PRISMA 2020. Foram incluídos estudos observacionais com dados primários em humanos, grupo controle não exposto e avaliação quantitativa de biomarcadores citogenéticos. Cinco estudos publicados entre 2021 e 2025, envolvendo mais de 2.600 participantes, preencheram os critérios de elegibilidade. Os estudos incluídos relataram maior frequência de dano citogenético em trabalhadores expostos quando comparados aos controles, com destaque para micronúcleos, pontes nucleoplasmáticas, brotos nucleares, dicêntricos e aberrações cromossômicas estruturais. A magnitude dos achados variou conforme o biomarcador utilizado, o tipo de tecnologia radiológica, o setor ocupacional e fatores de confusão, como idade, sexo e tabagismo. A correlação entre dosimetria individual e dano biológico foi heterogênea. Conclui-se que profissionais da radiologia ocupacionalmente expostos constituem grupo relevante para vigilância citogenética, e que a biodosimetria pode complementar a dosimetria física em programas de monitoramento ocupacional.
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