Perfil farmacoepidemiológico de pacientes atendidos em clínica escola na Amazônia brasileira
DOI:
https://doi.org/10.15343/0104-7809.202650e19062025IPalavras-chave:
Automedicação, Polifarmácia, Adesão Terapêutica, Cuidado FarmacêuticoResumo
A caracterização do uso de medicamentos constitui indicador sanitário fundamental, especialmente diante de desafios como polifarmácia e automedicação. Entretanto, populações atendidas em clínicas-escola permanecem pouco investigadas, apesar de concentrarem perfis diversos e funcionarem como campo estratégico de formação profissional. Este estudo objetivou caracterizar o perfil terapêutico e comportamentos em saúde de pacientes atendidos em clínica-escola na Amazônia brasileira. Estudo observacional e transversal, realizado de outubro de 2024 a março de 2025 na Clínica-Escola da Universidade da Amazônia, Belém-PA. Amostra de conveniência incluiu 80 adultos consecutivos que atenderam aos critérios de elegibilidade. Os dados foram coletados mediante questionário semiestruturado aplicado em entrevista individual e analisados mediante estatística descritiva e testes qui-quadrado/Fisher. A amostra foi predominantemente feminina (68,7%), com idade média de 52,13±17,91 anos e 56,2% com doenças crônicas. Observou-se elevada prevalência de automedicação (60%) e polifarmácia (38,75%). A automedicação associou-se significativamente à presença de doenças crônicas (RR=1,64; p=0,04) e reações adversas autorreferidas (RR=1,93; p=0,038). Nenhum participante apresentou alta adesão terapêutica, sendo descuido com horários o principal motivo de não adesão (83,75%). O acesso à consulta farmacêutica foi baixo (22,5%) e o descarte inadequado de medicamentos prevalente (73,75% no lixo comum). Práticas Integrativas e Complementares foram utilizadas por 57,5% dos participantes, predominando fitoterapia (73,9%) sem orientação profissional. Os achados evidenciam perfil de alto risco farmacoterapêutico caracterizado por automedicação, polifarmácia, reações adversas e ausência de alta adesão terapêutica, associados ao acesso limitado aos serviços farmacêuticos. É necessário implementar estratégias de cuidado farmacêutico integradas ao ambiente clínico-escola, visando otimizar a farmacoterapia e aprimorar a formação profissional baseada em evidências locais.
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