Colaboração multiprofissional no reconhecimento das situações de violência em emergência pública: limites para a interprofissionalidade
DOI:
https://doi.org/10.15343/0104-7809.202650e19552026PPalavras-chave:
Serviço Hospitalar de Emergência, Educação Interprofissional, Exposição à Violência, ViolênciaResumo
A colaboração interprofissional constitui estratégia essencial para o cuidado integral em serviços de urgência e emergência, especialmente no reconhecimento das situações de violência, frequentemente veladas e subnotificadas no cotidiano hospitalar. O objetivo foi analisar as verbalizações da equipe multiprofissional sobre práticas colaborativas no reconhecimento das diferentes situações de violência identificadas no contexto do atendimento em uma emergência pública terciária no Ceará. Estudo qualitativo realizado em hospital público terciário de referência cardiopulmonar. Participaram 34 profissionais de saúde selecionados pela técnica bola de neve. Os dados foram produzidos por entrevistas semiestruturadas entre maio e julho de 2025 e submetidos à análise temática de conteúdo. Os participantes relataram esforços pontuais de colaboração, porém com predomínio de atuação multiprofissional fragmentada. Comunicação, acolhimento e escuta qualificada foram apontados como elementos centrais para identificar situações de violência, ainda que frequentemente reconhecidas de modo implícito e silenciado. Sobrecarga de trabalho, ausência de protocolos, limitações estruturais e insuficiência de capacitação foram identificadas como principais barreiras à consolidação de práticas interprofissionais. Os achados evidenciam um distanciamento entre o ideal da interprofissionalidade e a organização concreta do trabalho, contribuindo para a invisibilidade institucional da violência nos serviços de emergência. O reconhecimento da violência permanece sustentado por iniciativas individuais e fluxos informais. A consolidação da interprofissionalidade requer revisão dos fluxos assistenciais, fortalecimento da comunicação entre categorias e investimentos em educação permanente para qualificar o cuidado e reduzir a subnotificação em serviços de alta complexidade.
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